CLAMOR DA FONTE DE VIDA

                    Clamo a ti pelo nosso viver, não aguento mais esta minguante forma de morte e sofrer, a exemplo de parte sua que já vive minha amargosa falta. Mas pra isso se faz necessário a minha naturalidade: está incolor, inodora e insipida!
                     Para nosso bem, não quero ser minguante: desperdiçada, podre, maltratada, enfim, esquecida e mal amada!
                     Preciso da sua ajuda, para que mais tarde não venha clamar por mim!
                     Preciso continuar sendo a luz pra qualquer viver! Seja pra fauna, seja pra flora, seja pra você, enfim, pra qualquer vivo ser, a partir dum jasmim!
                      Fico triste quando achas que minguantemente me matando demorarei séculos pra morrer, a cada dia passado estou mais acabada e doente, vitima de sua inteligência “pobre” e egoísta!
                     Pobrezinha de mim! Quando precisa fica doido a minha procura, mas se tou perto: na torneira, na caixa, no pote, no lago, nada procura fazer para que eu permaneça ao seu lado.
                    Fico alegre quando trata-me bem! Porém, mais ainda quando, inteligentemente, repassa os bons exemplos tirados sobre mim, o valor e a importância, que sou para todo ser vivo.
                    Você precisa deixar de se passar por imbecil, achando que não faltarei pra ti e que não precisa vivenciar em seu dia-dia o intenso valor do meu sobrenome (potável) e a responsabilidade de cuidar bem dele.
                      Seu, talvez, bem aventurado viver é condicionado ao meu real direito de ser a fonte purificadora do seu eu. Sou o grande elemento da natureza sobrecarregado da importância de lavar-te, de resfriar teu ego, teu corpo, tua alma, além de complementar tua matéria, saciar tua sede e contribuir diretamente pela tua não fome, para que dessa forma, SER HUMANO, precocemente não venhas á morrer, me tendo como falsa culpada.
                      Por favor, ajude-me!
                      A minha preservação natural é a garantia de que terás uma vida longínqua e saudável. Por tanto, carecidamente, mais uma vez, peço-lhe, cuide bem de mim, pois se não fizer isso será o maior prejudicado. Talvez eu consiga sobreviver doente, suja, inconsumível, até insuficiente, mas você dificilmente conseguirá a façanha de sobreviver a minha ausência ou minha existência podre, inútil, impura.
                      Quem está lhe avisando é sua grande amiga e companheira, a ÁGUA.
                      Ah! Faltou dizer-lhe uma coisa:
                      - Você é o único ser vivo capaz de raciocinar, se liga SER HUMANO , no futuro, quando vier a chorar a minha falta, suas lagrimas, se não de sangue, serão EU, mas certamente serei insuficiente para salvar sua vida.

                                                                                                                                       Valdez Belo

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