AS DORES DE UM SER VENDIDO
O tema abordado em 2014
Da Campanha da Fraternidade
Remete-me a um triste momento
De requintes cruel de maldade
Aonde eu e quatro companheiros
Numa capoeira prisioneiros
Vitimas duma ação covarde
Pois após uma proposta de trabalho
Braçal mais bem remunerado
Bem diferente do que foi prometido
Nos deixaram bem longe e isolado
Em meio ao silêncio da caatinga
Num sol escaldante que o suor respinga
Sem contatos e abandonados
Levaram-nos para produzir tijolos
Que blocos de cimento vinha a ser
Pra um tal dum consórcio Chingó
Aonde uma nova cidade ia se reerguer
Pois onde tava o rio ia tomar conta
E tinha logo que deixar outra pronta
Pra uma nova hidrelétrica nascer
É a Hidrelétrica Luiz Gonzaga
Ou Hidrelétrica de Itaparica também
Que resultou na inundação de Petrolândia
E novas mudanças na região foi além
Mas a construção desta cidade nova
Foi uma mudança que parece se renova
Pois Petrolândia hoje na região está bem
Mas foi entre Canindé de São Fco e Piranhas
Que nos deixaram isolados do mundo
Sem nenhum vintém nos sofridos bolsos
Com fome, sede e sem banho, imundos
Isso após a pobre feira se acabar em seis dias
E começar pra nós a espera e a agonia
De cinco humanos num vazio profundo
Isso se deu no final da década de 80
Em 1987 e o mês não me lembro de mais
Foi realmente um momento sofrido
Do qual nunca esquecerei jamais
Pois além de irmos trabalhar vendidos
E estarmos em algum lugar perdidos
Quase enlouquecemos nossos pais
No cruel reflexo do desemprego
Amargando a procura do que fazer
Certo dia cinco horas da manhã
Na casa do meu pai alguém veio bater
Era um amigo chamado Eronaldo
De camisa, bermuda, tênis, perfumado
Perguntando se viajar vinha a querer
E eu não pensando duas vezes
Disse-lhe só se for já ou agora
Botei umas peças de roupa numa mochila
Escovei os dentes e olhei pra hora
Dei a benção a Mamãe e Papai
Disse não saber pra onde ia e até mais
E falei pra Eronaldo vamos embora
A budega do Sr Jerônimo tava aberta
Já a espera de o pão chegar
E como era fumante enxerido
Que só Plaza gostava de fumar
Isso a pouco trabalhando no São Braz
Como tinha algum cruzeiro, não reais
Comprei cinco maços pra levar
Montamos numa velha caminhonete
Eu, ele, seu irmão, um primo, um cunhado
E a vontade de trabalhar era tão grande
Que saí meio que desinformado
Sem saber direito nem pra onde ia
Que trabalho era e a sua garantia
Ou se ia mesmo ser bem remunerado
Na viagem foi que melhor me informei
O que diacho a gente ia fazer
Pra onde danado é que a gente tava indo
E entre nós era difícil responder
E nessa caminhonete tome estrada
Nós cinco atrás numa quentura danada
Rodamos até o sol se esconder
E ainda na visão infinita de estradas
Do nada os maços de cigarro sumiu
Até hoje não se sabe onde foi parar
Só me restou resmungar pqp
Foi um prenuncio inicial incrível
Como o sofrimento já tivesse visível
E a partir dali o pouco do “doce” sumiu
Pedi um Belmont á um dos companheiros
E a piada veio logo em seguida
Tu até a pouco não fumava só Plaza
E aí surgiu a primeira ferida
Desculpei-me pela minha ignorância
E percebi que ia precisar de muita tolerância
Pra manter-me de cabeça erguida
Já à noite chegamos à nova Petrolândia
Que em plena construção vem está
E a gente já se alegra um pouco
Achando que era ali que íamos trabalhar
Mas foi só uma triste ilusão
Pois foi só pra passar a noite num galpão
E no outro dia logo cedo viajar
Ao acordarmos bem cedinho
Da viagem do dia anterior quebrados
A gente sobe na velha caminhonete
E segue num destino pra gente ignorado
Á só vê estradas e estradas pela frente
Já nossos corpos sofrendo aquele sol ardente
Um lugar grande enfim é avistado
E de repente chegamos a Delmiro Golveia
Mais ainda não era o lugar esperado
A caminhonete devagar vai a cidade cruzando
E suas imagens vão ficando no passado
Pra voltar aquela só de asfalto e calor
Dentro de um clima já um tanto desolador
Nao imaginar de que algo ali tava errado
E após mais quilômetros de estradas
Uma placa indica uma nova cidade
Era a histórica cidade de Piranhas – AL
Onde talvez estivesse nossa felicidade
Mas como desengano logo se entra à direita
E confirmando a nossa triste suspeita
Entre caatinga o veiculo para de verdade
E nesta BR onde só se avistava mato
Veio à inesperada resposta vocês ficam aqui
Pegamos as chibancas pra arrancar tocos
E limpar um terreno para trabalhar ali
Montar um barraco coberto só encima e dum lado
Pra cimento, ferramentas e pertences guardado
Só sobrando espaço pra agente dormir
E conosco tinha uma pequena feira
Que com uma semana se acabou
Junto a ela 3 pacotes dum tal “Fumo do Bom”
Daquele brabo que sem costume me lascou
Mas esse fumo era a única solução
E sem saber fiz um pé de burro grossão
Dei uma baita chupada que os olhos virou
Isso arrancando toco eu traguei o bicho
E junto ao sol veio à agonia e o tormento
Que mais ainda vinha á piorar
Pois só em água pensei com o sofrimento
E inventei de um copo d´agua beber
Foi aí que vi o mundo rodar e o chão tremer
Como sinal de um triste momento
Em seguida cavamos um tanque
E um carro pipa de água o encheu
Essa água era pra trabalhar e cozinhar
E de cimento e areia nos abasteceu
Mas feira, água e o material de trabalho
Com uma semana desapareceu
E parece que algo no negocio deu errado
Que ninguém veio ali mais aparecer
E antes de duas semanas ficamos sem nada
Principalmente sem água e comida pra viver
E tivemos que meios de sustento buscar
Como até fazer fojos pra pegar preá
Pra naquela triste realidade sobreviver
Mas o clima ficou ainda mais tenso
Quando uma preá buchuda se matou
Eu pedi para deixar a coitada viva
Mas um dos companheiros me ignorou
Passou a faca na pobre bichinha
Com já prestes a nascer sua criazinha
E aquilo foi muito triste, me chocou
Peguei a mochila e rumei pra BR
Após troca de porrada entre nós surgir
Mas voltei cabisbaixo pra barraca
Porque não vi horizonte para onde ir
Mas preocupado fiquei mesmo no anoitecer
Pois estava com medo de adormecer
E por tudo aquilo alguém me ferir
Mas graças a Deus logo no outro dia
A paz entre nós voltou a reinar
Chegamos a um necessário consenso
Que da união entre todos iriamos precisar
Pra sairmos "bem" daquela cruel situação
De abandono ou extrema exclusão
Onde o mínimo já era difícil encontrar
O tal desse consorcio Chingó era obras
Salve engano pra uma cidade transportada
Ou tirada dum lugar baixo pra um alto
Pra pelas águas do São Francisco ser tomada
Era Petrolândia e outras obras na região
E após passar por toda esta transformação
Petrolândia hoje é na região bem lembrada
Lembro, foi entre Piranhas e Canindé de São Francisco
Jogados as margens de uma BR deserta, vazia
Onde chegar numa delas só de balsa pra atravessar o Rio
E sem adiantar ir pras duas sem nem mixaria
Tínhamos que ficar ali refém do descaso e da tristeza
Rodeados por caatinga e do popular Chico a beleza
Presos aos obscuros reflexos duma covardia
E não é que certo dia pela manhã
Do nada um carro ali apareceu
Desceu dele um homem bem vestido
Deu um grito por um de nós e fui eu
Era convites pra um churrasco que ia ter
E no dia do mesmo nos esbaldamos de comer
Mas do seguinte a gente esqueceu
Foi dado pelo governo de José Sarnei
Era uns cinco galpões de carne a pão
Algo difícil de imaginar acontecer
Um banquete de tamanha proporção
Onde movidos pela momentânea fartura
Saímos de lá de barriga cheia e dura
E no outro dia não tinha nenhuma porção
No outro dia eu e Eronaldo voltamos ao local
Pra com os urubus por carne e pães brigar
Pegamos um bocado considerável
E levamos pra além do almoçar e jantar
Foi realmente um momento profundo
Jamais acreditado se vê com si nesse mundo
E peço a Deus igual nuca mais passar
A situação estava tão critica
Que as cabeças resolvemos raspar
Teve um que ainda tentou resistir
Mais o agarramos para igual deixar
E depois das cinco carecas brilhante
O caminhão surge naquele instante
Para inesperadamente nos alegrar
Mas quando vimos o caminhão vazio
Só com um tonel de diesel melado
A alegria foi embora novamente
Pois já tínhamos sofrido um bocado
E tinha que esperar três dias uma posição
Se ainda íamos ficar naquela escravidão
Ou daquela situação seria libertados
Pra isso fomos com o motorista a Piranhas
Providenciar pra os três dias alimento
Encher o tonel de óleo diesel com agua
E causamos na cidade um constrangimento
Ficavam nos olhando admirados
Os cinco de carecas brilhando e Desfigurados
Porém alegres naquele momento
Com três dias chega dois numa camionete
E combinados logo nela agente subiu
Já estávamos certos de ali não mais ficar
Pois graças a Deus aquela oportunidade surgiu
E sair dali já era uma bela conquista
E o desejo aquele lugar logo perder de vista
Ou passar bem por aquele desumano funil
Finalizando esta onda de sofrimento
Ainda teve um lance inesperado
Na viagem de volta durante a noite
Um barulho estranho na camionete foi escutado
E batemos na cabine pro motorista parar
E numa roda só três parafusos tava no lugar
Esses folgados e o quarto quebrado
Ao chegando em Campina Grande
Parecia que tínhamos chegado ao céu
E esperando receber do encarregado dinheiro
O recebido foi suficiente só pra compra dum chapéu
Repassou-nos o telefone pra com ele falar
Daí por diante nunca mais viemos esse cara avistar
E os contatos que ele sumiu, foi creu
Fomos os cinco carecas na feira central
Onde o povo logo também se espantou
Talvez imaginando de que tribo seriamos
E os cinco assim um boné comprou
Sobrando só o dinheiro de pegar o coletivo
Mais a alegria era imensa por estarmos vivo
E saber que pra sua querida família voltou
Da Campanha da Fraternidade
Remete-me a um triste momento
De requintes cruel de maldade
Aonde eu e quatro companheiros
Numa capoeira prisioneiros
Vitimas duma ação covarde
Pois após uma proposta de trabalho
Braçal mais bem remunerado
Bem diferente do que foi prometido
Nos deixaram bem longe e isolado
Em meio ao silêncio da caatinga
Num sol escaldante que o suor respinga
Sem contatos e abandonados
Levaram-nos para produzir tijolos
Que blocos de cimento vinha a ser
Pra um tal dum consórcio Chingó
Aonde uma nova cidade ia se reerguer
Pois onde tava o rio ia tomar conta
E tinha logo que deixar outra pronta
Pra uma nova hidrelétrica nascer
É a Hidrelétrica Luiz Gonzaga
Ou Hidrelétrica de Itaparica também
Que resultou na inundação de Petrolândia
E novas mudanças na região foi além
Mas a construção desta cidade nova
Foi uma mudança que parece se renova
Pois Petrolândia hoje na região está bem
Mas foi entre Canindé de São Fco e Piranhas
Que nos deixaram isolados do mundo
Sem nenhum vintém nos sofridos bolsos
Com fome, sede e sem banho, imundos
Isso após a pobre feira se acabar em seis dias
E começar pra nós a espera e a agonia
De cinco humanos num vazio profundo
Isso se deu no final da década de 80
Em 1987 e o mês não me lembro de mais
Foi realmente um momento sofrido
Do qual nunca esquecerei jamais
Pois além de irmos trabalhar vendidos
E estarmos em algum lugar perdidos
Quase enlouquecemos nossos pais
No cruel reflexo do desemprego
Amargando a procura do que fazer
Certo dia cinco horas da manhã
Na casa do meu pai alguém veio bater
Era um amigo chamado Eronaldo
De camisa, bermuda, tênis, perfumado
Perguntando se viajar vinha a querer
E eu não pensando duas vezes
Disse-lhe só se for já ou agora
Botei umas peças de roupa numa mochila
Escovei os dentes e olhei pra hora
Dei a benção a Mamãe e Papai
Disse não saber pra onde ia e até mais
E falei pra Eronaldo vamos embora
A budega do Sr Jerônimo tava aberta
Já a espera de o pão chegar
E como era fumante enxerido
Que só Plaza gostava de fumar
Isso a pouco trabalhando no São Braz
Como tinha algum cruzeiro, não reais
Comprei cinco maços pra levar
Montamos numa velha caminhonete
Eu, ele, seu irmão, um primo, um cunhado
E a vontade de trabalhar era tão grande
Que saí meio que desinformado
Sem saber direito nem pra onde ia
Que trabalho era e a sua garantia
Ou se ia mesmo ser bem remunerado
Na viagem foi que melhor me informei
O que diacho a gente ia fazer
Pra onde danado é que a gente tava indo
E entre nós era difícil responder
E nessa caminhonete tome estrada
Nós cinco atrás numa quentura danada
Rodamos até o sol se esconder
E ainda na visão infinita de estradas
Do nada os maços de cigarro sumiu
Até hoje não se sabe onde foi parar
Só me restou resmungar pqp
Foi um prenuncio inicial incrível
Como o sofrimento já tivesse visível
E a partir dali o pouco do “doce” sumiu
Pedi um Belmont á um dos companheiros
E a piada veio logo em seguida
Tu até a pouco não fumava só Plaza
E aí surgiu a primeira ferida
Desculpei-me pela minha ignorância
E percebi que ia precisar de muita tolerância
Pra manter-me de cabeça erguida
Já à noite chegamos à nova Petrolândia
Que em plena construção vem está
E a gente já se alegra um pouco
Achando que era ali que íamos trabalhar
Mas foi só uma triste ilusão
Pois foi só pra passar a noite num galpão
E no outro dia logo cedo viajar
Ao acordarmos bem cedinho
Da viagem do dia anterior quebrados
A gente sobe na velha caminhonete
E segue num destino pra gente ignorado
Á só vê estradas e estradas pela frente
Já nossos corpos sofrendo aquele sol ardente
Um lugar grande enfim é avistado
E de repente chegamos a Delmiro Golveia
Mais ainda não era o lugar esperado
A caminhonete devagar vai a cidade cruzando
E suas imagens vão ficando no passado
Pra voltar aquela só de asfalto e calor
Dentro de um clima já um tanto desolador
Nao imaginar de que algo ali tava errado
E após mais quilômetros de estradas
Uma placa indica uma nova cidade
Era a histórica cidade de Piranhas – AL
Onde talvez estivesse nossa felicidade
Mas como desengano logo se entra à direita
E confirmando a nossa triste suspeita
Entre caatinga o veiculo para de verdade
E nesta BR onde só se avistava mato
Veio à inesperada resposta vocês ficam aqui
Pegamos as chibancas pra arrancar tocos
E limpar um terreno para trabalhar ali
Montar um barraco coberto só encima e dum lado
Pra cimento, ferramentas e pertences guardado
Só sobrando espaço pra agente dormir
E conosco tinha uma pequena feira
Que com uma semana se acabou
Junto a ela 3 pacotes dum tal “Fumo do Bom”
Daquele brabo que sem costume me lascou
Mas esse fumo era a única solução
E sem saber fiz um pé de burro grossão
Dei uma baita chupada que os olhos virou
Isso arrancando toco eu traguei o bicho
E junto ao sol veio à agonia e o tormento
Que mais ainda vinha á piorar
Pois só em água pensei com o sofrimento
E inventei de um copo d´agua beber
Foi aí que vi o mundo rodar e o chão tremer
Como sinal de um triste momento
Em seguida cavamos um tanque
E um carro pipa de água o encheu
Essa água era pra trabalhar e cozinhar
E de cimento e areia nos abasteceu
Mas feira, água e o material de trabalho
Com uma semana desapareceu
E parece que algo no negocio deu errado
Que ninguém veio ali mais aparecer
E antes de duas semanas ficamos sem nada
Principalmente sem água e comida pra viver
E tivemos que meios de sustento buscar
Como até fazer fojos pra pegar preá
Pra naquela triste realidade sobreviver
Mas o clima ficou ainda mais tenso
Quando uma preá buchuda se matou
Eu pedi para deixar a coitada viva
Mas um dos companheiros me ignorou
Passou a faca na pobre bichinha
Com já prestes a nascer sua criazinha
E aquilo foi muito triste, me chocou
Peguei a mochila e rumei pra BR
Após troca de porrada entre nós surgir
Mas voltei cabisbaixo pra barraca
Porque não vi horizonte para onde ir
Mas preocupado fiquei mesmo no anoitecer
Pois estava com medo de adormecer
E por tudo aquilo alguém me ferir
Mas graças a Deus logo no outro dia
A paz entre nós voltou a reinar
Chegamos a um necessário consenso
Que da união entre todos iriamos precisar
Pra sairmos "bem" daquela cruel situação
De abandono ou extrema exclusão
Onde o mínimo já era difícil encontrar
O tal desse consorcio Chingó era obras
Salve engano pra uma cidade transportada
Ou tirada dum lugar baixo pra um alto
Pra pelas águas do São Francisco ser tomada
Era Petrolândia e outras obras na região
E após passar por toda esta transformação
Petrolândia hoje é na região bem lembrada
Lembro, foi entre Piranhas e Canindé de São Francisco
Jogados as margens de uma BR deserta, vazia
Onde chegar numa delas só de balsa pra atravessar o Rio
E sem adiantar ir pras duas sem nem mixaria
Tínhamos que ficar ali refém do descaso e da tristeza
Rodeados por caatinga e do popular Chico a beleza
Presos aos obscuros reflexos duma covardia
E não é que certo dia pela manhã
Do nada um carro ali apareceu
Desceu dele um homem bem vestido
Deu um grito por um de nós e fui eu
Era convites pra um churrasco que ia ter
E no dia do mesmo nos esbaldamos de comer
Mas do seguinte a gente esqueceu
Foi dado pelo governo de José Sarnei
Era uns cinco galpões de carne a pão
Algo difícil de imaginar acontecer
Um banquete de tamanha proporção
Onde movidos pela momentânea fartura
Saímos de lá de barriga cheia e dura
E no outro dia não tinha nenhuma porção
No outro dia eu e Eronaldo voltamos ao local
Pra com os urubus por carne e pães brigar
Pegamos um bocado considerável
E levamos pra além do almoçar e jantar
Foi realmente um momento profundo
Jamais acreditado se vê com si nesse mundo
E peço a Deus igual nuca mais passar
A situação estava tão critica
Que as cabeças resolvemos raspar
Teve um que ainda tentou resistir
Mais o agarramos para igual deixar
E depois das cinco carecas brilhante
O caminhão surge naquele instante
Para inesperadamente nos alegrar
Mas quando vimos o caminhão vazio
Só com um tonel de diesel melado
A alegria foi embora novamente
Pois já tínhamos sofrido um bocado
E tinha que esperar três dias uma posição
Se ainda íamos ficar naquela escravidão
Ou daquela situação seria libertados
Pra isso fomos com o motorista a Piranhas
Providenciar pra os três dias alimento
Encher o tonel de óleo diesel com agua
E causamos na cidade um constrangimento
Ficavam nos olhando admirados
Os cinco de carecas brilhando e Desfigurados
Porém alegres naquele momento
Com três dias chega dois numa camionete
E combinados logo nela agente subiu
Já estávamos certos de ali não mais ficar
Pois graças a Deus aquela oportunidade surgiu
E sair dali já era uma bela conquista
E o desejo aquele lugar logo perder de vista
Ou passar bem por aquele desumano funil
Finalizando esta onda de sofrimento
Ainda teve um lance inesperado
Na viagem de volta durante a noite
Um barulho estranho na camionete foi escutado
E batemos na cabine pro motorista parar
E numa roda só três parafusos tava no lugar
Esses folgados e o quarto quebrado
Ao chegando em Campina Grande
Parecia que tínhamos chegado ao céu
E esperando receber do encarregado dinheiro
O recebido foi suficiente só pra compra dum chapéu
Repassou-nos o telefone pra com ele falar
Daí por diante nunca mais viemos esse cara avistar
E os contatos que ele sumiu, foi creu
Fomos os cinco carecas na feira central
Onde o povo logo também se espantou
Talvez imaginando de que tribo seriamos
E os cinco assim um boné comprou
Sobrando só o dinheiro de pegar o coletivo
Mais a alegria era imensa por estarmos vivo
E saber que pra sua querida família voltou
História da Vida Real, Vivida por Mim > Valde Belarmino da Silva
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